Interior paulista na mira: clima, expansão e avaliação de imóveis
Lead: No terceiro painel da 23ª Convenção Secovi-SP, gestores públicos e incorporadoras apresentaram iniciativas práticas adotadas em municípios do interior de São Paulo e da Baixada Santista para conciliar crescimento imobiliário com resiliência climática — dois vetores que impactam diretamente os parâmetros de avaliação de imóveis na região.
Contexto: expansão interiorana e riscos climáticos
O avanço do mercado imobiliário para além da capital paulista vem pressionando municípios médios a revisarem seus planos diretores, zoneamentos e coeficientes de aproveitamento. Paralelamente, eventos climáticos extremos — enchentes, deslizamentos e ilhas de calor — têm sido incorporados como variáveis de risco em laudos técnicos, exigindo atenção redobrada do avaliador na aplicação da NBR 14.653-2 (imóveis urbanos).
Análise técnica: impactos na metodologia de avaliação
Para imóveis situados em zonas de expansão urbana ou áreas com histórico de eventos climáticos adversos, a NBR 14.653-2 orienta o uso do Método Comparativo Direto de Dados de Mercado como prioritário, com coleta de amostras que reflitam o microlocal e suas restrições ambientais. Quando a amostra é insuficiente — situação frequente no interior —, o Método Evolutivo (custo de reedição + valor de terreno) torna-se alternativa válida, desde que o avaliador justifique tecnicamente a escolha no campo de fundamentação do laudo.
Um ponto crítico destacado no painel diz respeito ao fator de risco ambiental: terrenos em áreas de APP (Área de Preservação Permanente) ou sujeitos a alagamento recorrente devem receber tratamento explícito no modelo de regressão ou na homogeneização por fatores. A omissão dessa variável compromete o grau de fundamentação exigido (mínimo Grau II para laudos de garantia bancária), podendo inviabilizar a aprovação do PTAM junto às instituições financeiras.
Além disso, municípios que revisaram seus planos diretores com novos índices de aproveitamento e recuos ampliados podem apresentar descontinuidade de preços entre lotes com e sem aprovação de projetos anteriores à revisão. Nesse cenário, recomenda-se estratificar a amostra por período de licenciamento e aplicar variável dummy no modelo estatístico para capturar essa quebra estrutural de mercado.
